dez
05
2009

Miragem de Verão

Se a vida fosse um relógio, eu estaria sob os ponteiros do meio-dia:
— Vivo um sonho sem sombras.

Sempre achamos que já vivemos de tudo. Tem horas que até nos sentimos velhos… Como se nada de novo fosse jamais acontecer. Leda fantasia. A vida é curta demais para fazermos tudo o que é possível ser feito… E também pudera não ser! Há quase infinitas possibilidades. Arranjos talvez nunca imaginados de destinos.

Então o tempo passa e nos revela as conseqüências de nossas decisões — de nossos atos.

O segredo da vida é não lamentar. O tempo não existe. Não agora. Não para mim.

Eu sei que foi utilizada a palavra “agora” e que “agora” remete ao tempo, renegando o que foi dito anteriormente. Mas ainda assim. É que o “agora”, além de agora, é o amanhã, o hoje. Já foi décadas atrás. E será nosso porvir.

O agora é o tempo todo. E está em todo lugar.

Por isso a existência do tempo é pouco provável. Acordaremos apenas quando abrirmos nossos olhos — e então o tempo voltará a estender-se?

Daí em diante abriríamos mão de todas as regras e viveríamos simplesmente para viver. Livres! De uma vez por todas e sem retorno. Envelheceríamos bem antes da idade. O que não é de todo ruim.

Depois relembraríamos sob a luz dourada do Sol que liberdade é ilusão. Queremos a liberdade pela liberdade e através de cada circunstância particular. Ora, a nossa liberdade depende da liberdade dos outros, que, por sua vez, depende da nossa.

A liberdade é o tempo todo. E está em todo lugar.

Por isso a existência de liberdade é pouco provável. Ilusões não existem nem são passíveis de existência — quando acolá de nosso intelecto imaginário, claro. Uma lembrança intensa, por exemplo, de um cheiro da infância, seria ela real? Ou sonhos delirantes com entes queridos já falecidos… Estariam eles realmente mortos, quando vivos dentro de nós?

No fundo, o tempo é isso. Ilusão. Por mais que a noite continue dando lugar ao dia. No fundo, a liberdade é isso. Ilusão. Por mais que todas as estrelas continuem nascendo no Leste. É tudo ilusão.

Written by Gui Krähenbühl in: Crônica, Pensamento | Tags:, , , , ,

3 Comentários »

  • alexNo Gravatar

    Gui em: “Hoje Acordei Transcendente”

    O tempo não para porque não passa.
    Tempo?
    Não tem, pô!

    Responder

    Comentário | 5 de dezembro de 2009
  • MarNovONo Gravatar

    Tempo é só mais uma dimensão; E o agora, uma projeção 3D de um mundo 4D.

    Estático ou dinâmico? Depende somente de quem quer ver…

    Responder

    Comentário | 8 de dezembro de 2009
  • AudreyNo Gravatar

    Quantos talentos em vc, Gui! Sua maneira de escrever me fascina. Fica sempre gostoso te ler.

    O tempo é ilusão sim e é bom que vc me lembra isso. Agora pra mim faz parte de meu passado desde que vc me escreveu que a gente cada dia ajunta lembranças a sua vida como nossos olhares agora. Não consigo pensar em outra coisa quando ouço essa palavra. Sempre vou me lembrar do que vc me escreveu pra o 12 de junho. Te disse já, seu jeito de escrever me encanta.

    Para a liberdade,sempre me disse que ela tem sentido só para as pessoas obrigadas e quando digo isso não penso no exército. Se penso na Marinha, então a liberdade é ilusão, sim, porque nada poderá impedir-me de estar a seu lado. Esquece o que te disse mais cedo. Encontrarei o meio de ver vc em maio, mesmo se pra isso preciso brigar com exército inteiro e quebrar a liberdade que a Marinha me deu. Mas a liberdade é só ilusão, né?

    Responder

    Comentário | 8 de dezembro de 2009

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