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23
2008

Une nuit hallucinante

30 de abril, 2008.

Eric Clapton. A noite se inicia, para ele. Not for Eric, but for him. I shall make this clear from the beginning.

He knew he wouldn’t leave the apartment. Sabia. Não por falta de dinheiro ou oportunidade porém, ou mesmo por falta de companhia: seus amigos o haviam convidado para os mais diversos tipos de entretenimento noturno imagináveis. Suas “amigas”, que em maioria estavam mais para affairs semi-fixos também lançaram diferentes iscas, tentadoras como quem as lançou. Não. Sabia que hoje estava por si só, o que definitivamente não era pouco. “Today is a day to hang out with myself”, he thought while smiling. Hanging out with yourself might be cumbersome, and it is certainly something defying.

He went down on his way to the fridge in order to get a beer, he deserved after all. Duas. Não eram Heinekens, observou. Tarde demais. Ah! Sim, havia um maço já começado de Camel, um presente. Cigarros como estes são raridades hoje em dia, e portanto devem ser bem aproveitados para algo maior do que transformar uma boca num suporte de bitucas como de praxe. A cerveja estava gelada como a noite. Minto. A noite estava mais gelada que a cerveja, e pensou em ir a um pub da região para tomar uma cerveja melhor numa temperatura mais apropriada. Mas havia gente lá. Ain’t stand a chance.

He was in a white room, though no black curtains could be seen, mostly because they didn’t exist, one could suppose. Fechou sua porta, devidamente selada em seguida. Um impulso bizarro na tarde desse dia o havia feito comprar uma luz negra para colocar em seu quarto, numa passagem ocasional por uma loja de construções. Nada mais lógico que instalá-la para teste: oportunidade melhor que no quarto iluminado apenas por um monitor de computador (e algumas luzes piscantes e intermitentes, comuns aos sistemas eletrônicos de cada componente da vida contemporânea) não haveria. É, ficou bom. Bom não. Ok, não esperava muito, os 15 reais investidos na lâmpada talvez até tivessem valido a pena. But his former projections over the outcome were kinda more ambitious.

B.B. King came in into the room. Automaticamente apaga seu cigarro, inconscientemente, num sinal de respeito, quem sabe? King e Eric certamente já se conhecem, e ele apenas observa esse encontro, sem saber qual a atitude mais adequada para a ocasião. Resolveu deixá-los tocar (they’ll play the blues for him), e eles o fizeram com grande vigor (não se sabe ainda como outros quartos não presenciaram indiretamente o show, visto que o volume das caixas de som era substancialmente acima do usual – na verdade, talvez eles tenham) e certa ousadia. Mas sabia-se o que estava por vir, e as paredes brancas, agora num tom azul fosforescente avivado pela luz negra já anunciavam: it’s blue like the blues. Blue, blues, deep blue, deep blues. Ah! Quando se deu conta King havia já sido substituído por sir Robert Johnson, numa transição sem emendas. As paredes respondiam prontamente aos estímulos musicais, e o bulbo roxo saturado agora pulsava. Weird, was that damn think working as it was supposed to?

Now he did understand indeed. Herbie já aquecia seu piano ao fundo, embora não pudesse ser claramente ouvido até que o as paredes anunciavam: o Blues estava evoluindo harmonicamente no Jazz, juntamente com o palco e sua iluminação. Os componentes de certo modo eletrônicos contidos na melodia de Hancock justificavam a acuidade tecnológica do espetáculo. Ele estava maravilhado e sorria, sorriso bobo e malicioso, agora restando apenas um pouco de cerveja para supri-lo. Supri-lo de quê? O homem-melancia era do mais puro e natural que uma sede auditiva já pudesse pedir. E percebeu não estar mais na antiga cidade natal, pois as paredes cintilantes o lembravam claramente: estava ilhado. “Damn it, why am I here anyway”, he now wondered.

Herbie answered his question in a swift manner: by calling in Davis, who was just a few Miles ahead. Nunca o som foi tão roxo e amarelo, isso por mais que o amarelo se mostrasse completamente ausente, a não ser no refletivo trompete. O azul ainda aparecia vez ou outra, para lembrá-lo: I do exist still. Ele ficou parado, e agora decidiu: preciso me deitar um pouco. Foi esperto, porque no momento todos tinham idéia certeira do que estava por vir, e não seria nada cuidadoso chegar lá despreparado. Nem mesmo sabendo estar numa ilha isolada e selada. Bitches Brew…

The stage was then just beside him, never so close. Repleto de figuras pouco bem formadas, cada uma delas explodindo uma musicalidade comedida frente à Davis, o grande maestro of the great maelstrom. O bem-estar da melodia era sempre distorcido ao prazer da banda, tornando-o incessantemente incômodo. Se revirava em meio ao palco, tentando se concentrar num foco, mas logo era atingido por alguma nota errante que o obrigava a mudar de posição. Precisava mudar de estratégia, pensou. Mas ele tinha certeza de que deveria sustentar-se por durante o decorrer da performance, a um custo qualquer que fosse. Lembrou-se, não se entende ao certo o porquê, de métodos evasivos aprendidos no mundo de entretenimento digital. Desviar e acertar linhas multicoloridas não era tão diferente de o fazer em meio à partituras, mis e fás, e sempre foi bom nisso. Defensivo no início, no momento certo de lapso da guarda sonora, deu início ao contra-ataque fulminante. Miles instantly foresaw the imminent defeat coming all his way.

But he managed to surpass the situation in an intelligent, and why not, elegant, form. Ele então se depara com Coltrane tocando-lhe um ode à doce vitória, a convite de Davis, alcançada pela combinada perspicácia  e estratégia competitivas dele. Nada como finalmente, prazerosamente sentir de corpo e alma as estrelas do triunfo, que tornaram o ambiente todo azul novamente. Mas dessa vez, um azul leve e de grande claridez. Como holofotes estelares, projeções diretas das luzes do firmamento no branco da cama dele. Relaxou, de fato. O binário do estresse anterior e da tranqüilidade conquistada parecia fazer sentido nos traços ainda presentes de tecnologia. Mas essa tranqüilidade tinha um quê de interrogativa, e o fez perceber algo curioso: seu corpo estava enegrecido. At first from the music absorption, followed closely by the absence of reflection caused by the black light lamp bulb.

Noticeably uncomfortable about it, he decided to put on appropriate clothes. Pegou uma vestimenta cinza-clara, generosamente estofada. Agora refletia completamente toda a luminosidade saturada e azul, e se sentia leve e livre mesmo dentro da caixa selada e inviolável na qual se encontrava. Caixa essa que visivelmente havia decolado a um certo tempo da ilha na qual anteriormente se encontrava. A luz não mentia: o pó estelar o trazia cada momento mais próximo do fim da atmosfera, agora já em órbita. Sentia-se aliviado, pois a vestimenta aeroespacial era precisamente do que precisaria para suportar a viagem que se punha a seguir. He felt that, at last, he was intended to go out there for a reason he possibly knew previously.

It was getting hotter from the inside and the outside. Não estava certo se a nova vestimenta era a causadora do aumento súbito e preocupante da temperatura, mas deu-a o benefício da dúvida. A fortuna porém, parecia novamente estar ao lado dele, visto que a jornada se tornava mais clara e o objetivo tomava certa forma. A aparição das estrelas, a luz amarela convivendo em meio ao azul do firmamento e ao roxo da sensiblidade musical, os contratempos a serem vencidos, a preparação para a atual jornada rumo ao espaço: tudo intencional, indicando algo. Não demorou a ligar os fatos, e notou que convergiam, de modo incrivelmente específico. Finally, he realized: he had to set the controls of the heart of the Sun.

He knew this was no simple mission, and yet he felt for the first time fully capable and able to achieve whatever he ever dreamed of or was assigned to. Inicialmente, tudo parecia ter dado certo. Porém o passar inconstante dos momentos, que agora não mais se dividiam em métrica racional ou lógica, não permitia a existência de dúvidas além: as mudanças feitas na estrela maior haviam destruído o encadeamento temporal, quiçá permanentemente. E isso logo se fez presente mesmo nas formas mais simples do cotidiano, como os animais, as coisas. O modo como os astronautas o olhavam, intercalado por pequenos comentários via rádio-comunicação, denunciava o que ele já imaginava. Pior, ele previu (não se sabe ao certo se tarde demais, ou cedo demais… como se marcar tempo num relógio desregulado, anyway?) a distorção não só do físico. Havia deformações nos conceitos abstratos, anteriormente arbitrários. A solução era então se utilizar de alguma parte chave do problema. And this key was far more near than he could have thought of.

Looking aside, he then noticed a little yellow glow, a little radioactive it would seem. Pelo histórico de eventos, que não mais fazia sentido algum, nem mais tinha dimensões exatas, acreditou que pudesse se tratar do sol. Numa análise mais cuidadosa, percebeu um ser de corpo dourado, metalizado. Porém, havia uma humanidade tão grande nesse ser que logo viu numa proeminente e volumosa barba, e nos cabelos grisalhos do autônomo. A voz, sintetizada eletricamente, refletia a experiência por ele passada, acompanhada por um peculiar tapa-olho feito em couro. Não houve conversação concreta e direta, porque a situação existente (se é que fosse possível de se dizer existência no caso) moldava tortamente seus rumos por dentro de laboratórios, arenas de transmissão de ondas via satélite. Ficou acordado que ele seguiria os perigosos procedimentos de maneira que o autônomo continuaria sua jornada anterior inalterada após o desenrolar dos fatos. From now on, all that is known is that it seemed to have worked fine, loose and sharp, without hiccups.

The ubiquitous human existence that came from inside that robot made it blossom inside him thoughts. Many thoughts. A então luz azul proveniente das próximas estrelas começava a abrandar, pois havia se deixado solo lunar para trás há algum tempo (felizmente, o tempo), mas ainda assim as paredes caminhavam numa mescla de humanidade, arte, e eletrônica de estridentes teorias e cordas. Ele se dá conta, de que está de volta, e Chick Corea está desempenhando uma de suas obras frente ao palco vazio. Vazio exceto por um ponto que inicialmente inexistia, mas que a vibração do universo de maneira polarizada criou pouco a pouco. But just a moment before tresspassing the portal, he remembered something.

It wasn’t out of the blue. The music clearly said remember, remind. Era Duke Ellington, dando os últimos tons azuis ante o portão luminoso. Ele, parado, atônito e saudoso, respira os últimos momentos vividos até então. A carga emocional e psicológica é massiva, e sente que seguir o caminho alternative, proposto pela nova melodia, o levaria para um caminho certamente não agradável, pois findava no sofrimento. Porém, cansado de sua jornada, segue em direção ao grande portal de luz alva que se põe a sua frente, e mostrando algo que ele não via desde o ínicio: letras, dezenas, centenas delas. Alguns números, também. Sentia então que poderia organizar, talvez, os acontecimentos utilizando-se dos novos instrumentos adquiridos. But before it would happen, he realized that beyond that white portal, there was someone.

And this time, it wasn’t some random entity. It was a female. Viu-se forçado a responder as insistentes mensagens ao regressar, e percebeu que ficou extenso tempo ausente. Ele era necessário também aqui, e com urgência. Se recompôs do jeito que melhor pôde. Partiu rumo a um local onde pudesse suprir suas demandas físicas. Lembrou-se da existência de fome e sedes humanas, coisas não sentidas nunca antes, pareciam. Tinham formatos e intensidades muito bem definidos, calculáveis até existisse formulário para tal. Existia também o frio. Vestiu-se de acordo, sobrepondo sua jaqueta de couro ao conjunto. A claridade agora não mais o atraía, mas sim causava repulsa. Óculos escuros foram colocados frentes aos dilatados olhos. Mente e corpo tentavam finalmente coexistir num mesmo espaço, ora com, ora sem, sucesso. Anyway, he continued walking by, tracking the place pertaining to the girl who brought back part of himself, though ain’t sure of which one.

Then, everything seemed to end, or actually, start. Sabe-se lá se mente ou corpo tomaram lugar, mas ele estava lá, factualmente. Conseguiu se expressar com normalidade notável, de modo que pouco ou nenhum traço do que havia se passado era aparente, fora obviamente o desgaste físico-emocional. Mas o calor humano e real presente nesse momento era indescritível. Os gemidos, o calor, e a pele transpiravam sexualidade num patamar poucas vezes já atingido. A intensidade de cada aspecto era multiplicada por um arbitrário e tornava a experiência diferente, muito diferente. A convergência dos fatores físicos, psicológicos e emocionais culminou em algo que nem mesmo ele obteve instrumentação em sua jornada para conseguir explicar. Deixou-a enfim, porém. She had to travel by. They would meet soon, eventually.

The question that lasts is: how soon will he meet himself, again?

Written by MarNovO in: Altamente X, Conto, Crônica |

7 Comentários »

  • AlexandreNo Gravatar

    entendi porque demorou tanto

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    Comentário | 24 de junho de 2008
  • IgorNo Gravatar

    sensacional…inclusive “by calling in Davis, who was just a few Miles ahead.”..
    ehheh

    Responder

    Comentário | 24 de junho de 2008
  • IgorNo Gravatar

    “Finally, he realized: he had to set the controls of the heart of the Sun.”
    heauhauheuaehauha

    Responder

    Comentário | 24 de junho de 2008
  • MNovaexNo Gravatar

    É, na verdade isso foi escrito em algumas horas… Porém the feds didn’t allow me to post it any earlier. Por sorte, eu mandei pra uma pessoa ou outra tempos antes.

    E sim, pretendo colocar notas do autor em breve. Pois há muitas, muitas menções de bandas, pessoas, músicas, instrumentos…

    Mas muito obrigado a todos que leram, pois eu sei que é grande.

    Responder

    Comentário | 24 de junho de 2008
  • FabioNo Gravatar

    Nossa realmente, várias coisas passam pela mente lendo o texto, muito bom
    incrivel as frases e menções

    Responder

    Comentário | 25 de junho de 2008
  • Gui KrähenbühlNo Gravatar

    Sua Magnum Opus.

    Faz o tipo de coisa que eu leio. E escrevo!

    Ah! E foi uma honra imensurável ter recebido a primeira cópia, sobretudo autografada por tão distinto escritor. E mais, ter podido discutir o texto enquanto ele estava, digamos, ainda fresco.

    Escreverei depois os comentários que já fiz pessoalmente, d’accord?
    Parabéns!

    Responder

    Comentário | 25 de junho de 2008
  • RossiNo Gravatar

    De fato sensacional…
    parabéns Chuck… puta texto…
    Bela viagem!

    Responder

    Comentário | 27 de junho de 2008

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