Uma noite de chuva…
Eu:
Oh ! Evecção que risca o céu noturno,
Quem és tu que nessa noite vem me visitar ?
Fica a me fitar com esse olhar taciturno !
Deixa-me, assombração ! Não quero te falar…
O Vulto da Noite:
Sou o vale da sombra da morte,
E tua vida vim tirar-te !
E não adianta lastimar, que nem Fama, nem Sorte,
De teu cruel destino irão salvar-te !
Eu:
Pois eu rogo às brancas fantasias visionárias,
Por um lugar onde eu possa chorar sem medo !
Tal qual é o céu para as estrelas e o oceano para os peixes !
O Vulto da Noite:
Nunca imaginaste ver-me tão cedo,
E agora vem-me com indagações hilárias !
Agora, peço que teu corpo deixes…
Eu:
Não posso abrir mão do que é meu por natureza.
Vai-te embora ! Deixe-me ! Vê se some !
O Vulto da Noite:
Digo-te que é aí que se encontra a real beleza !
Pois natureza é o meu segundo nome !
Eu:
Não… Eu não quero morrer na chuva…
O Vulto da Noite:
…
(Guilherme Krähenbühl)
2 Comentários »
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puxa, esse é o poema teu que eu mais gostei, ficou muito bom, parabéns.
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Engraçado, nunca pensei na Morte vindo em meio à chuva. Durante a noite, sim. Mas não na chuva.
Talvez seja o maniqueísmo com o qual nos acostumamos, vida é boa, morte ruim, será? Água é o bem, é vida , fogo é o mal, traz a morte. Ou talvez seja apenas o capuz preto e longo da Morte.
Definitivamente algo desagradável de se usar num dia de sol, ou num dia de chuva.
Gostei bastante desse poema. Embora haja sonoridade agradável do começo ao fim, existe também uma gradação rumo ao silêncio definitivo, que mata o diálogo (que talvez, deseje este ser morto). Contra a Morte parece não haver argüição efetiva, então o silêncio seria a saída. Silêncio esse que é apaziguador, mas após alguns instantes se torna melancólico e inquietante. Estressante.
Não se sabe mais se a umidade na face é dessa então chuva, ou se um suor frio da inquietude febril. Tem certo sentido. A mente domina o corpo, e em vista da falta de argumentos perante a Morte, perderá tal controle para a natureza da morte. O corpo sim, entidade física, pertence a ela e se entrega, com sublime prazer. Mas a mente é relutante, aguda e velhaca. Arrogante em sua existência, crê-se superior ao mundano e ao físico. Mas em seu âmago sabe que depende do carnal para existir, e por conseqüência evitará deixá-lo partir.
Manipulados pela própria mente, que nos impõe medo simplesmente por medo ter.
Parabéns.
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