Um Conto de Natal
A janela estava embaçada, mal se podia ver a neve que caía friamente do lado de fora. Era véspera de Natal, e a única criança da casa estava triste. Sabia que não ganharia presentes nesse Natal, como nos treze anteriores. Deixou cair uma lágrima.
Ao pensar nos presentes se esquecia do frio e da fome que a assolavam. Queria tanto uma bicicleta…
Os pais estavam na cozinha. Conversavam sérios:
— Querida, a situação deste ano está ainda pior. Coloque mais água na sopa. Vovó passará aqui conosco desta vez.
— Não sei mais onde pôr água. A sopa já nem mais é sopa. É água quente. Se bem que com este frio, há de fazer bem…
— Verei se encontro algo para colocar na sopa pela rua, já volto.
— Não esqueça o casaco, Walter querido.
Pegou um casaco todo roto, e abriu a porta. Foi quando o menino virou-se para ele e disse:
— Papai, onde você vai? Posso ir junto?
— Está frio lá fora, Tim. Fique em casa com sua mãe. — E fechou a porta com um estrondo.
Ventava muito. O vento cortava sua face, fazendo seus lábios sangrarem. Pensava na sopa quente e se esquecia de todo o resto. Encolheu-se e continuou andando pela calçada escorregadia e suja. Uma mistura de neve com lama impregnava todo o chão. Andou duas quadras e virou num beco, a fim de evitar as rajadas diretas de vento.
Avistou um lixo próximo à porta de um restaurante, já fechado. Abriu a grande tampa. Algumas baratas fugiram assustadas com a agitação. Encontrou uns restos de batata frita. Pegou-as e as analisou à luz; jogou fora. Não teria coragem de dar aquilo a seu filho. Não se sujeitaria a isso. Quis chorar, mas o frio não permitia.
Revirou mais um pouco e encontrou uns legumes. Quase sorriu. Teve um calafrio quando encontrou um repolho inteiro. Já podia voltar para sua casa.
Fez todo o caminho de volta, lamentando-se por toda essa situação constrangedora. Reminiscências de toda uma vida sofrida passaram por sua cabeça, mas logo seus pensamentos voltaram à sopa quente.
Ao chegar em casa, todos estavam sentados ao redor da mesa, inclusive sua mãe. Ela possuía no olhar o abatimento trazido pelos anos. Um tal traço estampava em seu semblante uma vida de consternações. Às vezes parecia que desejava a morte. Silenciosamente. Entre um gesto e outro.
Sua esposa fez os preparativos necessários. Era quase meia-noite e todos estavam famintos. Seria a primeira refeição do dia.
Sorveram a sopa ruidosamente. De tal modo, em questão de minutos, secaram o enorme caldeirão. Para eles, aquilo era felicidade. A mãe passou lentamente a mão sobre a cabeça de seu filho e sorriu levemente. O tempo poderia parar ali. Então a criança fitou por uns instantes sua mãe e protestou baixinho:
— Eu gosto tanto do Natal, mamãe, que todo dia poderia ser Natal. — Sua expressão denotava um quê de melancolia.
— Ah, querido, eu gostaria tanto que você pudesse ganhar um presente, como tantas outras crianças… — Parou de acariciar seu filho, suspirou e começou a retirar os pratos da mesa, como se tivesse voltado à realidade.
— Mas, mamãe, eu não me importo, porque eu não sou como as outras crianças. Eu posso me divertir com o pouco que eu tenho. E de nada me serviria uma bicicleta agora, com essa neve lá fora…
— Isso é bem verdade. — Replicou o pai. E continuou:
— Bom, já está tarde, e amanhã acordarei cedo. — Fez uma pausa. — Sairei em busca do nosso almoço…
Arrastou a cadeira e se dirigiu a seus aposentos. Estava tão cansado e fazia tanto frio que mal encostou na cama e já adormeceu. Teve um sonho que não foi em tudo um sonho.
Recebera uma visita durante seu sono. Tal ser misterioso falava diretamente em sua mente. Suas palavras eram etéreas e pareciam ecoar pela sua cabeça.
— Quem é você?
— Eu de fato não sou um amigo, mas das suas esperanças eu sou a última.
— Quem é você? — Repetiu. — Eu estou sonhando?
— A vida é um sonho atrás do outro. Tudo é ilusão.
Seis luzes verdes se acenderam nesse momento, revelando um salão hexagonal feito de largos tijolos. As velas que queimavam não aparentavam ser deste mundo. Walter suava frio, ao olhar ao redor. Estava no centro da sala.
A voz continuou, vibrante:
— Alguns me chamam de espírito do Natal, outros ainda de fantasma ou morte, mas eu sou mesmo o diabo.
Walter deixou escapar um soluço. Balbuciou algumas palavras:
— Onde está você, que não o vejo?
Um clarão tomou conta do recinto, seguido por um estrondo. Uma imagem quase esvanecente de um lagarto sobre duas pernas apareceu em um dos cantos da sala. Uma névoa surgia do chão, e inundava aos poucos o ambiente lúgubre.
— Aqui estou, bem diante de você.
Involuntariamente Walter pôs sua mão na frente dos olhos. Não desejava ver.
— Que espécie de monstro você é? Você não pertence a esse mundo!
— Decerto que não.
— O que você quer de mim?
— Eu não quero muita coisa. O que eu quero de você é… sua alma!
— Minha alma? Mas sem minha alma, como supostamente eu viveria?
— Ah, dá-se um jeito. Mas fique tranqüilo. Não trocarei a sua alma por nada. Você poderá pedir qualquer coisa em troca. Eu disse… qualquer coisa! — Fez uma pausa e sorriu sem mostrar os dentes. — Há apenas três regras: não se pode desejar mais pedidos, e não se pode solicitar nem amor nem a morte de alguém.
— Bom, eu não sei. Há tanto o que pedir. Dê-me algum tempo.
— Amanhã eu retornarei novamente em seus sonhos. E que isto daqui seja o nosso segredo, sim?
Antes que Walter pudesse responder, todas as luzes se apagaram de uma vez, fazendo-o acordar assustado num sobressalto. Já era de manhã. A neve continuava a cair do lado de fora enquanto finos raios de luz penetravam pela pequena janela do quarto.
— Tudo aquilo foi um sonho? — Perguntava-se em pensamento.
Sua esposa já havia acordado e estava tricotando grossas roupas de lã. Aquele inverno prometia muito frio pela frente.
— O que é minha alma? O que ele faria com ela? Devo eu trocar minha alma por algo? — Estas perguntas ecoaram pela sua cabeça o dia todo. Mal conversou com sua esposa ou seu filho. Tinha medo de contar a eles. Sabia que não deveria.
Não resistiu. Pouco antes de adormecer acordou a esposa. Ela não entendia nada — ele falava rápido demais e dizia coisas aparentemente sem sentido. Quando enfim a esposa conseguiu acalmá-lo, ele contou tudo demoradamente, com todos detalhes possíveis. Sua esposa concluiu:
— Querido, foi apenas um pesadelo… Volte a dormir, sim? Amanhã discutiremos isso. Temos passado por dificuldades. É normal que tenha sonhos desse tipo!
— Não foi um sonho. Eu sei que não foi…
— Volte a dormir, Walter querido.
Ela o embalou até ele cair num sono entorpecente. Quase instantaneamente as luzes verdes se reacenderam. Estremeceu. Preferiria morrer a olhar para aquela figura sinistra novamente.
E lá estava o diabo, em um dos cantos. A mesma névoa fina ao redor dele. O mesmo tom etéreo e vibrante ao falar:
— Você não cumpriu com sua palavra. Pagará por isso! E tenho dito. Sua alma agora me pertence. E não terá direito a pedido algum.
— Mas senhor…
— Cale-se! Tenho mais a dizer. Ainda esta noite, em sonho, farei uma visita a seu filho.
Tão logo o diabo desapareceu, Walter sentiu um vento gelado rodopiando ao seu redor. As luzes verdes se misturavam com o ar e criavam um vórtice que entrou por sua garganta e tirou-lhe o único bem que ainda possuía — sua própria alma.
Acordou tentando tragar profundamente o ar. Não conseguia mais respirar. Sua mulher, assustada, batia em suas costas, numa vã tentativa de fazê-lo respirar.
Na pequena cama ao lado, Tim sonhava irrequieto, sem saber o que se passava ao seu redor. Agora era ele quem estava no meio da câmara hexagonal. Não se assustou quando o diabo apareceu, estava antes curioso do que com medo. Pronunciou um olá tímido.
— Olá. — Respondeu o diabo, que completou: — Você sabe quem sou eu?
— Papai ontem estava a falar de um tal diabo que aparecia em sonhos. Eu não entendi muito bem, até poder ver você agora.
— Um garoto tão esperto para um pai tão burro. Você sabe o que eu quero de você? — Seus olhos faiscavam.
— Não. Mas você não pode querer muita coisa. Na verdade mesmo, não tenho muito a oferecer…
O diabo gostava de crianças. Eram almas fáceis de se corromper. Além do mais, nunca pediam algo realmente difícil de se conseguir. Mas só podia entrar nos sonhos das crianças quando em posse da alma do pai ou da mãe.
— O que eu quero de você é a sua alma. Alma é o que faz você ser quem você é. Você, para viver, não precisa dela. Você, para viver, precisa de brinquedos! — A língua do diabo se tornava especialmente afiada quando lidava com crianças.
— Eu tenho uma alma?
— Todos tem. E você pode trocar a sua alma por qualquer coisa que queira. Eu disse… Qualquer coisa!
— Eu posso pedir qualquer coisa mesmo?
— Bom, você apenas não pode pedir mais desejos, nem a morte ou amor de alguém…
— Eu aceito! E eu desejo… — Parou por uns segundos… — Eu desejo ser o próprio diabo!
Um olhar inconformado foi a última expressão do diabo, antes de esvanecer por completo.
Agora que Tim era o próprio diabo, era possuidor de um grande montante de almas. Tinha tantos poderes, mas nem tinha por que utilizá-los. Aprendeu com os anos a não esperar muito da vida. A não desejar o que não podia ter… Era um garoto sem pretensões. E agora era o diabo.
No momento, encontrava-se perdido. Perdido pela vida. Logo, lembrou-se de seu pai, que costumava guiar seus passos sempre. Saiu do sonho e caminhou lentamente até o leito dele. Seu pai se achava tão branco e sua mãe e avó choravam tanto… Logo percebeu o que tinha se passado. Lamentava veementemente. Lembrou-se, então, de que poderia fazer qualquer coisa — mas o sorriso de seu rosto desaparecia gradualmente, ao lembrar-se também de que o combustível para seus poderes ilimitados eram almas.
Tomado por uma atitude impensada, trocou sua alma pela vida de seu pai. Não teria coragem de tirar a alma de ninguém mais dali, senão a sua própria…
Seu pai despertou como de um transe profundo, gritando pelo nome de seu filho, o qual o fitou com ternura pela última vez, antes de adormecer para sempre.
[Guilherme Krähenbühl~]
11 Comentários »
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Ser o próprio diabo e logo em seguida enfrentar os próprios demônios. Interessante suicídio.
Ao torna-se o diabo himself, e ao trocar sua alma pela de seu pai, posteriormente, quem tornou-se o diabo então? Walter? E para onde foi a alma do antigo diabo, voltou a seu dono original, talvez (calma, Lenin ainda está lá deitadão)?
Realmente gostei da gradação de temperatura do conto. Um início frio, gélido. Sendo esquentado pela ternura e união do ser humano, pela emoção, atinge uma temperatura ideal, onde os personagens usam com clareza a razão. Isso acontece até sair-se de um equilíbrio saudável, e atingir uma temperatura clímax no encontro com o diabo. Nesse ponto, fora de um equilíbrio, a razão tem pouco poder e torna-se confusa demais para servir aos personagens. Porém, após Tim tornar-se o diabo, percebe-se que a temperatura do conto vai esfriando, momento no qual brevemente Tim tem pensamentos lógicos. Pensamentos esses que não foram rápidos o suficiente para que agisse antes de voltar o frio gélido da morte de seu pai. Move-se pela emoção, tentando um suspiro de calor. Tarde demais,o frio já lhes tomou por completo… o frio eterno de uma armaga doce morte.
Embora destoe de fato do Summer background atual do blog, logo mais ele mudará… Parabéns.
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Acho que foi de propósito, mas a mudança de ritmo, aceleração pra ser mais preciso, me deixou meio a ver navios perto do fim. Porque o começo é pintado em cores monótonas que no decorrer ganham mais vida e ficam mais alucinantes, mas no fim me perdi de tão rápido que se deram os fatos. Não que eu não tenha entendido, apenas fiquei com uma sede… como se faltassem entrepartes. Mas é claro que isso me deu uma sensação de impotência e consequente frustração, o que cabe muito bem ao momento e ao tema.
Sobre a técnica digo que prefiro a região central do texto, pois no começo aquela pieguice da criança faminta me fez pensar “lá vem a estética da pureza através da miséria novamente…”, o que é até clichê natalino. E no fim, como já disse, tudo ficou muito apressado e me pareceu um queijo suíço. Gostei mais do meio porque foi mais equilibrado, e achei que sua capacidade descritiva agora superou a narrativa, principalmente pela parte em que descreve a avóe pelo diálogo que segue disso. Bom… por “meio” entenda “fim do começo”, porque não é exatamente no meio…
Sobre o tema, eu gosto de fantástico, mas quando segue pelo caminho de alucinações, loucura ou delírios aleatórios que componham no mínimo alguma beleza. Achei que você esboçou o início de algo assim com a descrição da sala hexagonal e sua iluminação, a imagem do diabo, a névoa, etc, compondo essa textura misteriosa do sonho, mas o ritmo já estava acelerando e senti que você poderia delirar mais. Como você já deve imaginar, ou saber, eu tenho uma aversão a misticismo, principalmente quando envolto por imagens religiosas (estou curtindo minha fase atéia). Mas os conflitos da história são, em si, bastante interessantes. O ar trágico até lembra mitologia. Talvez exatamente por isso, por querer retratar sentimentos tão extremos, é que você tenha optado pela abordagem mística/religiosa, que expande os limites do possível, ou mesmo os anula… Entendo.
Mas não faz bem meu tipo. É como se você tivesse colocado uma roupa brega sobre um corpo interessante. E eu prefiro corpos desnudos, e crus.
Ah, sim. concordo com o MNovaex. Adoro gradações (embora tenha me perdido na gradação de velocidade…)
Nossa, será que vai caber esse comentário inteiro?
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ah, lembrei que vc é engenheiro,
com “aceleração” eu quis dizer “aceleração positiva”
será que eu to viajando muito? rs
bah, tenho mais é que me preocupar em reaprender equações do segundo grau antes de avançar sobre aceleração…
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Marcelo, o diabo, ou melhor, o que ele representa, a figura dele, whatever, some no final. O mal perde, mas o bem também não ganha… Embora o bem e o mal tenham se fundido em um só, no caso. Aliás, nem sei se vale essa visão maniqueísta nesse conto. Eu vejo mais como sentimentos extremos contracenando mesmo.
Alexandre, as coisas esquentam a medida que o ritmo também acelera — o que faz sentido. Até chegar num ápice. E depois desacelera abruptamente com frustação e impotência, como você mesmo disse. É como aquele começo de uma montanha-russa mesmo…
Quanto ao tema, escolhi o Natal justamente por isso. Pelo clima conhecido que ele trás (não diria “clichê”). Esse calor humano da aproximação e união. Em contraste com o frio do cenário do conto.
Hm, pena que o “Summer Background” destoa completamente. Mas logo chega o inverno, e vai combinar perfeitamente! ;D
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fico bom
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Me inoculou a angústia decadente de ter lido e estar agora vasculhando meus natais, um a um.
“O diabo gostava de crianças. Eram almas fáceis de se corromper. Além do mais, nunca pediam algo realmente difícil de se conseguir. Mas só podia entrar nos sonhos das crianças quando em posse da alma do pai ou da mãe.”
O frio é um deboche, nada mais. Aliás, tudo neste conto parece deboche: o comportamento adequado do filho e sua ironia lépida, mas não lúdica; a velha que parece desejar a morte mais ou menos enquanto se alimenta; o desespero patético do pai; a conveniente disponibilidade do diabo e as confusões de identidade que orgulhosamente sofre; enfim. É de se querer saber qual é a motivação de fazer isso assim, entremeado de um fatalismo trágico que se não descarta a esperança, também dela debocha, mas não conheço o autor, o que quer dizer que vou ficar com essa curiosidade.
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@ Ben-Hur:
O frio foi um artifício. Seria algo do tipo colorir o cenário somente com palavras. Tingir o cenário de um azul cinzento. Em contraste com o interior da casa, tão cheio de vida e quente.
A ironia do filho foi antes ingênua que maldosa.
É, é bem do diabo querer ser tudo. E ter tudo. Acabou sem nada. Sendo nada.
Ah, sim, claro. A esperança. Enfim morta e enterrada. Pelo menos para aquela família. Condenada a uma vida de loucura e decadência. Não os culpo. Culpo antes o frio.
;D
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A ingenuidade é o disfarce preferido da maldade dos escritores, e, não obstante, dos filhos. Como, por exemplo, “Alguns me chamam de ingenuidade, outros ainda de inspiração ou lucidez, mas eu sou mesmo a maldade”. =)
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Bem, isso me fez pensar na subjetividade de alguns conceitos como bem e mal, certo e errado…
O que é o mal senão o sentimento egoísta de pensar única e exclusivamente em si mesmo?
O mal foi extinto quando esbarrou na figura da criança, que trocou o que possuía de mais precioso (e agora poderia possuir o que quisesse…) pela vida do pai…abriu mão dos seus desejos, de pôr fim às privações pelas quais passara desde sempre e doou-se generosamente, sem reticências…
É isso aí… parece que a suposta “melancolia” que eu deveria sentir ao final do conto (digo isso pq adoro finais felizes…) se transformou num sorriso…
Porém, estou aqui pensando…quando o menino escolheu ser o diabo…havia ali uma coisinha de astúcia nessa decisão? uma certa ambição pelo poder que essa escolha representava ou foi pura ingenuidade? sei lá, gosto das intenções…
De qualquer forma, eu AMEI!!!
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Acho que somos diabos de nós mesmos. Deus e o Diabo são feitos à nossa imagem e semelhança! rsrsrsrs
Mas, amei a expressão que afirma ser o Diabo uma entidade que gosta de crianças.
E a redenção do final tira-nos da angústia inicial.
Voltarei.
Abraços a todos
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ai gui, to emocionada!
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