fev
08
2010
0

Como uma Árvore

Dans un monde devenu désert, nous avions soif de retrouver des camarades.*
— Antoine de Saint-Exupéry

Uma estrela cadente cortava o céu rapidamente, enquanto seus pensamentos despedaçavam em contornos incertos. A luz da Lua refratava nas pesadas gotas de chuva que caíam no asfalto, iluminando todo o ar. Fazia calor.

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Written by Gui Krähenbühl in: Crônica |
dez
25
2009
3

Feliz Natal

Resolução para 2010: postar regularmente no SAnestésico.

Juro.

dez
05
2009
3

Miragem de Verão

Se a vida fosse um relógio, eu estaria sob os ponteiros do meio-dia:
— Vivo um sonho sem sombras.

Sempre achamos que já vivemos de tudo. Tem horas que até nos sentimos velhos… Como se nada de novo fosse jamais acontecer. Leda fantasia. A vida é curta demais para fazermos tudo o que é possível ser feito… E também pudera não ser! Há quase infinitas possibilidades. Arranjos talvez nunca imaginados de destinos.

Então o tempo passa e nos revela as conseqüências de nossas decisões — de nossos atos.

O segredo da vida é não lamentar. O tempo não existe. Não agora. Não para mim.

Eu sei que foi utilizada a palavra “agora” e que “agora” remete ao tempo, renegando o que foi dito anteriormente. Mas ainda assim. É que o “agora”, além de agora, é o amanhã, o hoje. Já foi décadas atrás. E será nosso porvir.

O agora é o tempo todo. E está em todo lugar.

Por isso a existência do tempo é pouco provável. Acordaremos apenas quando abrirmos nossos olhos — e então o tempo voltará a estender-se?

Daí em diante abriríamos mão de todas as regras e viveríamos simplesmente para viver. Livres! De uma vez por todas e sem retorno. Envelheceríamos bem antes da idade. O que não é de todo ruim.

Depois relembraríamos sob a luz dourada do Sol que liberdade é ilusão. Queremos a liberdade pela liberdade e através de cada circunstância particular. Ora, a nossa liberdade depende da liberdade dos outros, que, por sua vez, depende da nossa.

A liberdade é o tempo todo. E está em todo lugar.

Por isso a existência de liberdade é pouco provável. Ilusões não existem nem são passíveis de existência — quando acolá de nosso intelecto imaginário, claro. Uma lembrança intensa, por exemplo, de um cheiro da infância, seria ela real? Ou sonhos delirantes com entes queridos já falecidos… Estariam eles realmente mortos, quando vivos dentro de nós?

No fundo, o tempo é isso. Ilusão. Por mais que a noite continue dando lugar ao dia. No fundo, a liberdade é isso. Ilusão. Por mais que todas as estrelas continuem nascendo no Leste. É tudo ilusão.

Written by Gui Krähenbühl in: Crônica, Pensamento | Tags:, , , , ,
nov
30
2009
4

El Ateneo

El Ateneo

Livraria El Ateneo, um ex-teatro. Visão panorâmica.

Buenos Aires, Argentina, 2009.

nov
24
2009
3

O Sutil Aroma do Passado

O sutil aroma do passado evoca-me um desejo temerário de subitamente voltar no tempo. Seu gosto ludibria-me a mente, enganando os sentidos. Paraliso por um momento. Extático.

Seu sabor é frio e gostoso, como o de um sorvete sorvido no Verão. Seu almíscar tão único como o de figos no inverno.

Acaricio o passado aveludado, enquanto me pergunto por que Ela não tornou o Tempo infinito quando pôde.

As lembranças mais ternas vêm voando ao meu encontro. Suas asas brancas oscilantes ora encobrem o que quero ver, ora cegam-me fatalmente com imagens sórdidas da mais abjeta promiscuidade.

Oh! Ampulheta cor-de-ouro! Inverta o sentido da Vida e retorne lépida pelo tempo. Quantos segundos feliz vivi? Acho que o Tempo suficiente para que caíssem três grandes grãos de areia dessa colossal Ampulheta da Vida.

Tempo suficiente para me viciar nessa coisa chamada Felicidade. Agora sou dependente dela. Um escravo! Quisera eu nunca haver encontrado a bonança! Do mesmo jeito que encontrei a alegria, descobri o que é a tristeza — a absoluta falta dessa tal Felicidade de outrora.

Ponho-me a suspirar pela areia já derramada, enquanto fito curioso o porvir, tentando registrar cada sensação imprimida em minha alma. Insana e doentia alma dessa juventude moderna.

Written by Gui Krähenbühl in: Crônica |

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